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O Javali no Brasil
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clockpostado em 06/04/12, 10:05
Resposta: #1
Resposta editada pela última vez em: 06/04/12 10:07 por GustavoABurgos
O javali no Brasil

[Imagem: wild_boar1.jpg]


O javali-europeu não pertence à fauna silvestre nativa do Rio Grande do Sul. É uma espécie exótica invasora, nociva aos animais silvestres nativos, à agricultura, à pecuária e ao ambiente. Soltos no campo, eles cruzam com outros porcos, formando espécies híbridas, como o javaporco. Com isso, não há uma estimativa do tamanho do rebanho. A caça do javali é recomendada para controle da espécie onde há prejuízos provocados pela ação do animal.

Forasteiro Indesejado


Nome científico: Sus scrofla; Peso: os machos podem atingir 180 quilos e as fêmeas, 150 quilos; Comprimento: de 1m20cm a 1m80cm; Altura: de 75 cm a 1,20cm; Expectativa de vida: 15 a 30 anos; Época de acasalamento: dezembro e janeiro; Gestação: média de 120 dias; Filhotes: de quatro a 12 leitões; Dentes: com a dentição completa, são 44. Os caninos em forma de foice são como uma arma, sobretudo no macho.


A técnica da caça do javali,Reprodução desordenada do animal é combatida com o abate

O silêncio é interrompido vez que outra pelos galhos secos e folhas mortas pisoteados na passagem dos caçadores. São oito homens ladeados por 12 cães treinados, embrenhados na mata fechada, no interior de Herval. O grupo forma uma equipe de caçadores, autorizados pelo Ibama a abater javalis na zona sul do Estado.

Considerado praga em solo gaúcho, o animal ataca propriedades rurais à procura de comida. Durante a caçada, os cães General, Barulho, Guará, Guerreiro, Bandido e Saddam - cruzas de galgo, dogo argentino, pitbull, labrador e ovelheiro - saem às pressas e somem entre as árvores, sempre alertas.

Camuflados, empunhando espingardas e facões, os integrantes do grupo se dispersam rapidamente, da mesma forma que os cães. A comunicação é feita com radiocomunicadores e assovios.

- Não existe estratégia. Nada é lógico - explica Leonardo de Souza Sedrez, 39 anos, comerciante que aos finais de semana atende ao chamado de agricultores aflitos.

Evidências na natureza

Sempre que chamados, os caçadores - oriundos de Canguçu e Arroio Grande -, agendam um final de semana para a caçada. Sexta à noite montam o acampamento e preparam a perseguição, que começa antes da companhia do sol.

- O javali não gosta de calor, procura locais com água e sombra para descansar durante o dia. Na madrugada, invade lavouras e destrói os pés de milho - conta o comerciante Deílson Cardozo, 36 anos.

[Imagem: tm_esp_javali_cacada.jpg]


Engatinhando por entre galhos retorcidos na mata, sufocado pelo calor do verão, Sedrez aponta os indícios da passagem de um animal. Aqui, uma árvore arranhada na base - onde o javali afia os dentes. Ali, outra árvore com barro seco - provavelmente usada para se coçar após o banho. Acolá, buracos característicos de um animal fuçador. Tudo cercando uma pequena poça d'água à sombra. Pegadas secas dão a entender que o local foi utilizado há cerca de um ou dois dias. Será que ele está por perto?

- É difícil dizer. Passou por aqui, talvez ontem, porque os vestígios estão secos. Esses paradouros servem para o banho e o descanso. Mas javalis são nômades, caminham até 50 quilômetros por dia à procura de comida - afirma Sedrez.

Apesar das evidências, o animal pode ter levantado acampamento e mudado totalmente de lugar. Enquanto isso, os caçadores derretem subindo e descendo morros de pedras em meio a espinhos e arbustos.

Dia da caça, dia do caçador

O sábado se aproxima do final, e os caçadores se reagrupam. Vasculharam uma extensa área, penetraram nas lavouras e, de mãos vazias, tomam o rumo do acampamento.

No jantar, a frustração não se disfarça, e existe até um certo abatimento. Logo contido.

- Vamos lá. Não dá para desistir. A caçada ainda não terminou - diz Cardozo, em tom premonitório.

No início do dia seguinte, os pés de milho retorcidos indicam nova visita. Os cães "batem" na mata, expressão utilizada quando os latidos avisam que o animal está cercado. A matilha ataca a mordidas e imobiliza o bicho. Depois, o caçador degola o animal com o facão. Nenhum tiro é disparado. Muito sangue e dificuldades para carregar o javali e cães feridos são o saldo da perseguição. Em algumas propriedades, são caçados mais de cinco animais, quase sempre responsáveis por perdas na lavoura. Desta vez, foi apenas um, mas os caçadores estão à espera de novos chamados.

Arroio-grandenses levam a São Paulo a experiência para o controle do animal

Eles fuçam tudo. Destroem lavouras, atacam criações, provocam o assoreamento dos rios e deixam um rastro de sujeira por onde passam. São javalis, animais silvestres abandonados por criadores ilegais, provocando o desequilíbrio ambiental. Proliferam rapidamente. No Rio Grande do Sul a caça é liberada. Em São Paulo, a presença dos javalis é novidade, e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve permitir o combate ao animal para controle.

Sem experiência no assunto, os paulistas procuraram socorro com nove caçadores e um técnico do Ibama para aprender as técnicas utilizadas na caça do animal. Três integrantes da expedição moram em Arroio Grande, e há quatro anos abatem javalis.

- Faltou para nós conhecer o clima e o terreno. Lá nos vimos em meio a canaviais e plantações de laranja, com muito calor - conta Deílson Bruno Cardozo, 36 anos, funcionário de aviação agrícola.


A expedição se instalou em Itápolis, perto de Bauru. Contando também com a presença da Polícia Militar, do Ibama e de caçadores do Paraná e de Santa Catarina, o grupo transitou pelas fazendas da região durante uma semana.Apesar da dificuldade, um javali foi abatido. Motivo de festa e, claro, pretexto para um churrasco.

- No próximo ano os paulistas devem vir e acompanhar uma caçada - projeta o agricultor Antônio Campelo, 27 anos, estudante de Biologia.

A dupla atua na companhia do comerciante Leonardo Sedrez de Souza, 39 anos. Para São Paulo, os gaúchos levaram 29 cachorros, protagonistas do ataque aos javalis. Responsáveis pela identificação e prisão dos animais, cruzas de dogo argentino, galgo, pitbull e veadeiro fazem 90% do trabalho. Os caçadores dão o golpe final com uma faca.

- Abatemos 86 javalis neste ano e não disparamos nenhum tiro - diz.

[Imagem: tm_esp_javali_cacada1.JPG]


Gaúchos ensinam a caçar javali em São Paulo

Nove caçadores gaúchos, dentre eles o conterrâneo Deílson Bruno Cardoso (Boca), estiveram em Itápolis, no interior de São Paulo, para ensinar técnicas de caça de javalis. Eles viajaram a pedido de agricultores e foram acompanhados pelo Ibama. O animal está fazendo estragos em lavouras de pelo menos nove municípios paulistas. "Nesse período do ano, eles estão agrupados perto de córregos, matas ciliares, e provocam muitos danos, fuçando as margens, sujando a água que abastece as pessoas. E especialmente assoreando nascentes", explica André Jean Deberdt, da coordenação geral de Fauna do Ibama. Ele é biólogo especializado em espécies exóticas invasoras do meio ambiente (não nativas) e está acompanhando o trabalho dos caçadores.

Entre os municípios onde há reclamações de agricultores estão Capão Bonito, Araçatuba, Atibaia e Barretos. "Aqui em Itápolis, muita gente está assustada. Ouvimos relatos de que algumas pessoas já se machucaram - tiveram pernas rasgadas pelas presas do javali quando tentavam caçá-lo", conta André Deberdt. Os javalis têm aparecido nas casas, atraídos por porcos domésticos. Eles se cruzam com a criação e nos filhotes prevalecem as características selvagens. Os filhotes são agressivos, perigosos para a lida", acrescenta André Deberdt.

A preocupação do Ibama é ambiental. "O javali come ovos de perdizes, tico-ticos, perdigões, come mamíferos de pequeno porte, inclusive domésticos. Disputa alimentos com animais nativos e é nocivo para a reprodução da flora, pois come sementes", relata Scherezino Barbosa Scherer, o técnico do Ibama/RS que acompanha o trabalho. Scherer é responsável pela avaliação de caçadores que se credenciam para a caça no Rio Grande do Sul. Há 22 anos trabalha também como técnico do Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação de Aves Silvestres (Cemave), órgão do Ibama que tem regional no Rio Grande do Sul e sede na Paraíba.

O abate exige perícia e coragem. O animal é resistente e se defende com violência extraordinária. O javali fareja longe, ouve bem, conhece o território e a escuridão das matas. Para encurralar o bicho, os gaúchos levaram 29 cães, cruzas de várias espécies, principalmente pitbull e dogo argentino.

"Eu e cinco companheiros já caçamos 80 porcos no Rio Grande do Sul desde agosto", conta o empresário Leonardo Souza, de 39 anos. Morador de Canguçu, ele viajou a São Paulo com seus 15 cães no reboque.

Foi a primeira viagem longa que fizeram juntos. Partiram de Porto Alegre, perto da meia-noite, para evitar o calor. Percorreram 1.200 quilômetros, a 80 por hora, com paradas para dar ração aos cachorros e passear com eles, para espicharem as pernas.

O coordenador de Manejo de Fauna na Natureza, do Ibama em Brasília, Wagner Fisher, comenta que a caça em São Paulo foi permitida a partir da edição da lei de proteção à fauna, recentemente publicada. Em Itápolis foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta que envolveu diversas instituições municipais e estaduais, inclusive o Instituto Biológico de São Paulo, que está colhendo amostras porque há desconfiança de que os javalis podem ser portadores de doenças. A metodologia de caça deve ser levada para outros estados.

Créditos desta Reportagem

- Matérias publicadas no Jornal Jornal Zero Hora (Conteúdo bloqueado. Registre-se, clicando aqui, para liberar o acesso.)
- Ibama (Conteúdo bloqueado. Registre-se, clicando aqui, para liberar o acesso.)
- Federação Gaúcha de Caça e Tiro (Conteúdo bloqueado. Registre-se, clicando aqui, para liberar o acesso.)


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Gustavo Burgos
[Imagem: kysm_deer_lft.gif]
 

clockpostado em 06/04/12, 19:01
Resposta: #2
Mt legal! Sou doido por um dia de caça real... HEHE :D
[Imagem: 10_deershunter.png]


Malditos Cervos, isto é uma conspiração Shocked
 

clockpostado em 07/04/12, 11:00
Resposta: #3
Bom poste.
Entretanto, vos digo que o tipo de caça ao javali ai no Brasil, e na Europa é substancialmente diferente, com três tecnicas absolutamente distintas ou seja:
-Caça de espera.
-Caça de Montaria (com cães mas diferente do Brasil)
-Caça de espera noturna.
[Imagem: 10_zepichot.png]
 

clockpostado em 07/04/12, 15:06
Resposta: #4
muito bom !
[Imagem: ca%C3%A7ador.jpg]

[Imagem: EspoletaBR.jpg]
 

clockpostado em 09/04/12, 20:09
Resposta: #5
Muito legal, meio desorganizada a caçada, mais deve ser muito adrenalina ir atras de um bixo desse!
 

clockpostado em 09/04/12, 20:35
Resposta: #6
Bem legal!!
 

clockpostado em 24/05/12, 12:05
Resposta: #7
Ja vi uma caçada dessa, nessa que eu vi um javali fez pedaço de um cachorro =/
 





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